TRANSPARÊNCIA SALARIAL · Noémia de Sousa · 29 de abril de 2026
Portugal regista uma taxa de desemprego historicamente baixa, e as empresas enfrentam uma dificuldade crescente em recrutar e reter talento. Nesse contexto, candidatos e trabalhadores exigem cada vez mais transparência sobre as políticas salariais e de progressão de carreira — antes da contratação e ao longo da relação de trabalho.
A transparência está a tornar-se um fator chave de atração e retenção de talento, e tornar-se-á também uma obrigação legal para algumas empresas assim que a Diretiva europeia da Transparência Salarial for transposta para o Direito português. A Diretiva reforça os deveres de informação e comunicação dos critérios de remuneração e progressão salarial.
As empresas que desde já revejam as suas estruturas de carreira, tabelas salariais e sistemas de avaliação e progressão estarão mais bem preparadas para o novo enquadramento legal e para um mercado de trabalho mais exigente. Mesmo as empresas fora do âmbito direto da lei sentirão pressão de candidatos, trabalhadores, parceiros comerciais com critérios ESG, investidores e regras de contratação pública que podem favorecer a transparência e a igualdade salarial.
Ignorar esta mudança tem custos: perda de talento, reputação e competitividade. A oportunidade está em aliar estratégia de negócio e conformidade legal para liderar a mudança, em vez de a sofrer.