Sem transparência salarial, não há sustentabilidade social

TRANSPARÊNCIA SALARIAL · Vânia Marques Soares · 15 de abril de 2026

A sustentabilidade social deixou de ser um complemento reputacional para passar a ser uma questão central de negócio. Dados do Parlamento Europeu mostram que as mulheres ganham, em média, menos 12% por hora na União Europeia, e menos 8,6% em Portugal.

Este fosso resulta de causas estruturais: concentração setorial, reduzida presença feminina em cargos de liderança, interrupções de carreira, maior incidência de trabalho a tempo parcial, e a desvalorização histórica de profissões predominantemente femininas. A diferença agrava-se com a idade e torna-se ainda maior nas pensões, onde as mulheres recebem, em média, menos 28,3% do que os homens na UE.

A Diretiva (UE) 2023/970 exige a divulgação de faixas salariais nos anúncios de emprego, critérios salariais objetivos, o fim do secretismo remuneratório, o direito dos trabalhadores a solicitar informação sobre remunerações, e avaliações salariais sempre que as diferenças excedam 5%.

A transparência salarial constrói confiança e credibilidade, ajuda a atrair e reter talento, e reforça a marca empregadora. As empresas que resistem arriscam-se a sair do radar dos talentos do futuro — a transparência salarial é mais do que uma obrigação: é um teste de maturidade organizacional.

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